Na metade do mês de dezembro, ao menos vinte presas do Centro de Ressocialização de São José do Rio Preto foram obrigadas a apagar suas tatuagens com álcool, cloro, removedor, solventes e cinzas de cigarro, sob ameaça de transferência para outra unidade.
Esse é mais um dos inúmeros casos de tortura e tratamentos subumanos que são aplicados pelo sistema carcerário do país. Em uma sociedade em que os presídios são feitos quase que exclusivamente para negros(as) e pobres, esses fatos evidenciam o que se esconde por trás do falso discurso da existência de cadeias como espaço de reassocialização e reintegração com a sociedade. E, principalmente, escancara a intenção de limpeza social que é aplicada pela burguesia, por meio de seu órgão repressor – a Polícia Militar e o sistema penitenciário –, contra o povo pobre das favelas e periferias.
Sabemos que nessa sociedade o conceito de crime e criminoso é diferenciado de acordo com as classes sociais a quem ele é aplicado. O conceito que nos é transmitido pela mídia e ensinado nas diversas instituições burguesas (família, escola e igreja) enquadra o crime como um problema de setores sociais bem definidos, sendo considerados criminosos, a priori, os desempregados, trabalhadores precarizados, sem-terras, moradores de favelas e negros(as), pobres em geral e de preferência jovens. Em contraposição, atos de corrupção, lavagem de dinheiro, sonegação, assassinatos políticos, não cumprimento das leis trabalhistas e dos direitos humanos, trabalho escravo, entre inúmeros outros cometidos por políticos, empresários, ricos, burgueses em geral, não são nem ao menos considerados crimes dentro do seu conceito mais difundido. Não à toa o ditado popular: cadeia foi feita para pobre.
A justiça atua rigorosamente sobre esses setores da sociedade e as cadeias são feitas exclusivamente para eles. Uma mesma lei é utilizada de maneira diferenciada para tratar com diferentes setores sociais, o que comprova mais uma vez, que a lei e a justiça burguesas servem única e exclusivamente para a manutenção da exploração capitalista e para a defesa da propriedade privada burguesa e da liberdade para os ricos.
Dentro da cadeia as coisas são ainda piores. Diferente de um local para reintegração com a sociedade como pregam os discursos dominantes, a cadeia é forjada para ser um local de punição – e assim o pregam os textos de políticas de segurança pública –, refletindo condições de vida piores do que aquelas que os presos tinham quando em liberdade. Como a maioria dos detentos são originários dos morros e favelas, é vendida e aceita a imagem de um presídio inóspito e cujas condições de vida sejam subumanas. A superlotação, as celas minúsculas, a falta de higiene, a má alimentação, as condições precárias de infra-estrutura e as privações básicas das condições mínimas de humanidade criam um ambiente propício para que ações de violência sejam corriqueiras e que torturas sejam praticadas pelos diretores, agentes penitenciários, delegados e policiais. No caso das detentas mulheres, os abusos são duplicados, pois contam com o “aval” de uma sociedade machista e opressora.
Não eram poucas as notícias de abusos contra os jovens nas FEBEM’s (Fundação Estadual do Bem Estar do Menor) – atual Fundação CASA – que iam de torturas físicas, psicológicas até a exploração sexual de jovens e crianças. Nos presídios os abusos de poder e as péssimas condições de vida dão origem a diversas rebeliões, na maioria das vezes transmitidas pela mídia falsamente apenas como brigas de facções, sendo o caso mais conhecido o do massacre do Carandiru, no qual ao menos cem presos foram brutalmente assassinados pela polícia militar a mando do então governador Fleury Filho (PTB) e pelas mãos do coronel Ubiratan em 1992, que ficaram impunes.
A denúncia dos abusos cometidos nas cadeias e centros de ressocialização deve ser levado adiante pelos movimentos sociais e a defesa intransigente de condições de vida dignas para os detentos deve ser uma bandeira democrática assumida também pelo movimento estudantil, desmascarando essa falsa democracia e direitos humanos que apenas servem para os ricos, políticos burgueses, policiais, juízes e todo o tipo de gente que esteja do lado do poder e dos “homens do poder”.
* Basta de tortura e condições subumanas nos presídios.
* Direitos legais e humanos para as presas.
* Punição dos torturadores.
* Exoneração do diretor do presídio e de todos os responsáveis pelas torturas e maus tratos às presas.
Que os organismos de direitos humanos, centrais sindicais, entidades estudantis e personalidades democráticas e de esquerda se pronunciem contra mais essa barbaridade que já se configura como atos corriqueiros não apenas em nossa cidade, mas em todo o país.
Apoio e fonte:
DIRETÓRIO ACADÊMICO "FILOSOFIA"
GESTÃO 2010: RUPTURA
"Quebrando os muros do conhecimento. Por uma Universidade autogerida por trabalhadores, estudantes e professores. Sem privilégio de classe."
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
A nossa volta
O pensar sobre a condição atual de um amigo que está em condições complicadas me levou a filosofar sobre o nada.
Não, não é irrelevante pensar-escrever-falar sobre o nada. No nada temos o oposto do tudo. Tudo o que ser quer hoje em dia é dinheiro e férias constante. Bom esse meu amigo não tem dinheiro e precisa trabalhar todos os dias guardando carros se pretende sobreviver na selva de pedra em que confortavelmente transitamos. Ele de acordo com o padrão atual é um nada. É o nada que não vemos quando vamos ao show, que não ouvimos quando pergunta se pode guardar o carro, que não vemos rir, chorar ou fazer qualquer outra coisa que um ser humano normal faz e a gente consede que faça. Se um guardador de carros vem chorando, por qualquer motivo, e nos interpela sobre se pode guardar o carro logo achamos que está fazendo cena. Um drama para poder ganhar dinheiro. Ele não pode ter sentimentos. Tem de ser uma máquina que adivinha como e de que forma tem de nos abordar para pedir permissão para trabalhar. Quantas pessoas tem de a todo momento pedir permissão para trabalhar. Alguns são convocados a trabalhar, outros vão trabalhar e pronto. Já os "marginais" (por viverem a margem e não como ladrões ou outra coisa qualquer) guardadores de carros tem de pedir pemissão é quem é nada tem de pedir para trabalhar. Quem é tudo trabalha e não filosofa sobre isso.
Nada o nada não é visto. Nessa vespera de Natal quantas pessoas vão pesar sobre os nadas sociais?
Ao sair para dar uma volta Vi meu AMIGO dormindo em um banco próximo ao local em que trabalha, bem encolhido e escondido para NÃO ATRAPALHAR. Afinal a moral os bons costumes e todas as pessoas de bem não querem ver suas vegonhas.
Não tinha dinheiro, nem eu nem ele, não podia ajudá-lo em nada e fico pensando como posso, além de ensinar a mim e aos outros o que acho que é bom, fazer com que se não acabe ao menos diminua isso no meu bairro, na minha cidade, no meu estado, no meu país e no mundo.
Bom Natal e um ótimo Ano Novo, mas não se esqueça dos doentes e de todos os que precisam.
Não, não é irrelevante pensar-escrever-falar sobre o nada. No nada temos o oposto do tudo. Tudo o que ser quer hoje em dia é dinheiro e férias constante. Bom esse meu amigo não tem dinheiro e precisa trabalhar todos os dias guardando carros se pretende sobreviver na selva de pedra em que confortavelmente transitamos. Ele de acordo com o padrão atual é um nada. É o nada que não vemos quando vamos ao show, que não ouvimos quando pergunta se pode guardar o carro, que não vemos rir, chorar ou fazer qualquer outra coisa que um ser humano normal faz e a gente consede que faça. Se um guardador de carros vem chorando, por qualquer motivo, e nos interpela sobre se pode guardar o carro logo achamos que está fazendo cena. Um drama para poder ganhar dinheiro. Ele não pode ter sentimentos. Tem de ser uma máquina que adivinha como e de que forma tem de nos abordar para pedir permissão para trabalhar. Quantas pessoas tem de a todo momento pedir permissão para trabalhar. Alguns são convocados a trabalhar, outros vão trabalhar e pronto. Já os "marginais" (por viverem a margem e não como ladrões ou outra coisa qualquer) guardadores de carros tem de pedir pemissão é quem é nada tem de pedir para trabalhar. Quem é tudo trabalha e não filosofa sobre isso.
Nada o nada não é visto. Nessa vespera de Natal quantas pessoas vão pesar sobre os nadas sociais?
Ao sair para dar uma volta Vi meu AMIGO dormindo em um banco próximo ao local em que trabalha, bem encolhido e escondido para NÃO ATRAPALHAR. Afinal a moral os bons costumes e todas as pessoas de bem não querem ver suas vegonhas.
Não tinha dinheiro, nem eu nem ele, não podia ajudá-lo em nada e fico pensando como posso, além de ensinar a mim e aos outros o que acho que é bom, fazer com que se não acabe ao menos diminua isso no meu bairro, na minha cidade, no meu estado, no meu país e no mundo.
Bom Natal e um ótimo Ano Novo, mas não se esqueça dos doentes e de todos os que precisam.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Várias injustiças e a opção paulista de inundar os pobres
Luis Nassif - Sobre economia, política e notícias do Brasil e do Mundo
17/12/2009 - 08:08
A opção paulista de inundar os pobres
Por Ernesto Camelo
Da UOL Notícias
Comportas fechadas na barragem da Penha para proteger a marginal ajudaram a alagar a zona leste de SP
Fabiana Uchinaka
As seis comportas da barragem da Penha, na zona leste de São Paulo, foram completamente fechadas às 2h50 do dia 8 de dezembro, dia em que a cidade enfrentou fortes temporais e viu diversos pontos alagarem como há muito tempo não se via. Somente dois dias depois, às 17h20, todas as comportas foram abertas. Os dados, fornecidos pelo engenheiro responsável pela barragem, João Sérgio, indicam que houve uma clara escolha da empresa responsável: alagar os bairros pobres da zona leste para evitar o alagamento das marginais e do Cebolão, conjunto de obras que fica no encontro dos rios Tietê e Pinheiros.
“Mesmo fechando as comportas, encheu o [córrego] Aricanduva. Se eu não tivesse fechado aqui, teria alagado as marginais e toda São Paulo”, justificou Sérgio, que explicou que a decisão vem da direção da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia). Ele acrescentou ainda que no dia 9 duas comportas foram abertas às 10h10 e mais duas às 21h.
O engenheiro argumenta que cada barragem (são quatro em São Paulo: Móvel, Penha, Mogi das Cruzes, Ponte Nova) é responsável apenas por administrar o fluxo de água do local e não sabe o que acontece nos outros pontos, porque não há comunicação. Mas ele acredita que as comportas foram abertas nas barragens de cima, em Mogi, e isso influenciou no alagamento da região da zona leste.
“Não recebo informações de outras barragens. As de cima são administradas pela Sabesp e as de baixo pela Emae. Eu só respondo por essa barragem e às ordens da Emae”, disse. “Também acho estranho o nível da água não baixar aqui e não sei por que está indo para os bairros, mas não precisa ser especialista para ver que está assoreado [o rio]“.
Ele trabalha há quase 15 anos no local e conta que desde o governo de Orestes Quércia (1987-1991) não são colocadas dragas para desassorear o rio na parte que fica acima da barragem. “O governo tentou colocar de novo, mas a própria Secretaria de Meio Ambiente não deixou, porque não tinha bota-fora [local para despejar a terra retirada]“, afirmou.
O desassoreamento do rio daria mais velocidade ao escoamento da água e aumentaria a área de reserva de água perto da barragem, o que impediria o transbordamento para os bairros adjacentes.
Para Ronaldo Delfino de Souza, coordenador do Movimento de Urbanização e Legalização do Pantanal, o governo fez uma opção. “Ou alagava a marginal ou matava as pessoas no Pantanal. E matou”, disse. “E ainda bota a culpa nas moradias. O Estado só se preocupa com o escoamento de mercadorias, só pensa em rodovia. Vida humana não importa”.
Moradores e deputados estaduais fizeram nesta quarta-feira (17) uma inspeção no local para saber se a abertura das comportas tinha relação com o alagamento no Jardim Romano e no Jardim Pantanal, que já dura nove dias.
O movimento, formado por moradores de diversos bairros localizado na várzea do rio Tietê, acusa o governo do Estado e a prefeitura de manterem a água represada além do necessário como forma de obrigar as famílias a deixarem a região, onde será construído o Parque Linear da Várzea do Rio Tietê. Há anos, os moradores resistem em sair dali, porque dizem que o governo não apresenta um projeto habitacional concreto e apenas oferece uma bolsa-aluguel.
“Não era para as máquinas estarem trabalhando aqui? Cadê? Não tem um funcionário do governo aqui”, reclamou, apontando para as ilhas que aparecem no meio do rio, logo acima da barragem da Penha. As dragas são vistas somente na parte de baixo da construção.
“Os córregos do Pantanal já estavam muito cheios três dias antes da chuva. Como não abriram a barragem sabendo que ia chover?”, perguntou Souza, indignado. “O que a gente viu aqui é que não houve possibilidade de escoamento, porque a água ultrapassou o nível das comportas e não tinha velocidade para descer, não tinha gravidade”, concluiu.
Segundo os registros da barragem, no dia 8 a água ficou acima do nível das comportas por 5 a 6 horas. Sérgio explicou que a queda do rio Tietê é de apenas 4% e por isso a vazão demora cerca de 72 horas desde a barragem de Mogi das Cruzes até o centro da cidade — isso sem chuva. “É demorado, sempre foi”, disse.
“Imagina o que uma hora de comportas fechadas não faz de estrago lá no Pantanal”, falou Souza, diante dos dados. “Se fecha aqui, a água para de novo, perde velocidade e vai demorar mais 72 horas para descer”, afirmou.
Os deputados estaduais que acompanharam a inspeção concordam con a teoria dos moradores. “Foi feita uma escolha e a corda estourou do lado mais fraco”, afirmou o deputado estadual Raul Marcelo (PSOL). “É uma questão grave. A falta de comunicação e de um gerenciamento unificado são prova de uma falta de governância e de um planejamento na administração das barragens, o que levou, em grande parte, ao fato do bairro do Pantanal ter sido alagado”.
“Há uma estranha coincidência de que no momento da desocupação há um alagamento desses e ninguém consegue escoar a água. Não havia uma inundação dessas há 15 anos e o nível das águas está subindo mesmo sem chuva. É muito estranho e as autoridades têm que explicar”, completou o deputado estadual Adriano Diogo (PT).
17/12/2009 - 08:08
A opção paulista de inundar os pobres
Por Ernesto Camelo
Da UOL Notícias
Comportas fechadas na barragem da Penha para proteger a marginal ajudaram a alagar a zona leste de SP
Fabiana Uchinaka
As seis comportas da barragem da Penha, na zona leste de São Paulo, foram completamente fechadas às 2h50 do dia 8 de dezembro, dia em que a cidade enfrentou fortes temporais e viu diversos pontos alagarem como há muito tempo não se via. Somente dois dias depois, às 17h20, todas as comportas foram abertas. Os dados, fornecidos pelo engenheiro responsável pela barragem, João Sérgio, indicam que houve uma clara escolha da empresa responsável: alagar os bairros pobres da zona leste para evitar o alagamento das marginais e do Cebolão, conjunto de obras que fica no encontro dos rios Tietê e Pinheiros.
“Mesmo fechando as comportas, encheu o [córrego] Aricanduva. Se eu não tivesse fechado aqui, teria alagado as marginais e toda São Paulo”, justificou Sérgio, que explicou que a decisão vem da direção da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia). Ele acrescentou ainda que no dia 9 duas comportas foram abertas às 10h10 e mais duas às 21h.
O engenheiro argumenta que cada barragem (são quatro em São Paulo: Móvel, Penha, Mogi das Cruzes, Ponte Nova) é responsável apenas por administrar o fluxo de água do local e não sabe o que acontece nos outros pontos, porque não há comunicação. Mas ele acredita que as comportas foram abertas nas barragens de cima, em Mogi, e isso influenciou no alagamento da região da zona leste.
“Não recebo informações de outras barragens. As de cima são administradas pela Sabesp e as de baixo pela Emae. Eu só respondo por essa barragem e às ordens da Emae”, disse. “Também acho estranho o nível da água não baixar aqui e não sei por que está indo para os bairros, mas não precisa ser especialista para ver que está assoreado [o rio]“.
Ele trabalha há quase 15 anos no local e conta que desde o governo de Orestes Quércia (1987-1991) não são colocadas dragas para desassorear o rio na parte que fica acima da barragem. “O governo tentou colocar de novo, mas a própria Secretaria de Meio Ambiente não deixou, porque não tinha bota-fora [local para despejar a terra retirada]“, afirmou.
O desassoreamento do rio daria mais velocidade ao escoamento da água e aumentaria a área de reserva de água perto da barragem, o que impediria o transbordamento para os bairros adjacentes.
Para Ronaldo Delfino de Souza, coordenador do Movimento de Urbanização e Legalização do Pantanal, o governo fez uma opção. “Ou alagava a marginal ou matava as pessoas no Pantanal. E matou”, disse. “E ainda bota a culpa nas moradias. O Estado só se preocupa com o escoamento de mercadorias, só pensa em rodovia. Vida humana não importa”.
Moradores e deputados estaduais fizeram nesta quarta-feira (17) uma inspeção no local para saber se a abertura das comportas tinha relação com o alagamento no Jardim Romano e no Jardim Pantanal, que já dura nove dias.
O movimento, formado por moradores de diversos bairros localizado na várzea do rio Tietê, acusa o governo do Estado e a prefeitura de manterem a água represada além do necessário como forma de obrigar as famílias a deixarem a região, onde será construído o Parque Linear da Várzea do Rio Tietê. Há anos, os moradores resistem em sair dali, porque dizem que o governo não apresenta um projeto habitacional concreto e apenas oferece uma bolsa-aluguel.
“Não era para as máquinas estarem trabalhando aqui? Cadê? Não tem um funcionário do governo aqui”, reclamou, apontando para as ilhas que aparecem no meio do rio, logo acima da barragem da Penha. As dragas são vistas somente na parte de baixo da construção.
“Os córregos do Pantanal já estavam muito cheios três dias antes da chuva. Como não abriram a barragem sabendo que ia chover?”, perguntou Souza, indignado. “O que a gente viu aqui é que não houve possibilidade de escoamento, porque a água ultrapassou o nível das comportas e não tinha velocidade para descer, não tinha gravidade”, concluiu.
Segundo os registros da barragem, no dia 8 a água ficou acima do nível das comportas por 5 a 6 horas. Sérgio explicou que a queda do rio Tietê é de apenas 4% e por isso a vazão demora cerca de 72 horas desde a barragem de Mogi das Cruzes até o centro da cidade — isso sem chuva. “É demorado, sempre foi”, disse.
“Imagina o que uma hora de comportas fechadas não faz de estrago lá no Pantanal”, falou Souza, diante dos dados. “Se fecha aqui, a água para de novo, perde velocidade e vai demorar mais 72 horas para descer”, afirmou.
Os deputados estaduais que acompanharam a inspeção concordam con a teoria dos moradores. “Foi feita uma escolha e a corda estourou do lado mais fraco”, afirmou o deputado estadual Raul Marcelo (PSOL). “É uma questão grave. A falta de comunicação e de um gerenciamento unificado são prova de uma falta de governância e de um planejamento na administração das barragens, o que levou, em grande parte, ao fato do bairro do Pantanal ter sido alagado”.
“Há uma estranha coincidência de que no momento da desocupação há um alagamento desses e ninguém consegue escoar a água. Não havia uma inundação dessas há 15 anos e o nível das águas está subindo mesmo sem chuva. É muito estranho e as autoridades têm que explicar”, completou o deputado estadual Adriano Diogo (PT).
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Poetiando um pensamento
se na vida tudo fosse
a foice que mata
a mata
que me esconde
que me esconde
não seria barba
seria um ato divergente
professor é o mundo
aluno um querer ser absurdo
se mato o meu
professor
mato o meu aluno
o que sobra?
quero poder saber
do nada
da antimatéria
do vazio
do caus
ou acaso
dá vida vivida do meu pensar alucinado
que ao se ver alucinatório para mim
para de existir e vira
o nada que não sei dizer
e ninguem que me ouça entenderá
ou lei?
não sei
não sei se escrevo ou penso
mas suspeito que vivo
ah
to com sede melhor para de bobeira
terça-feira, 24 de novembro de 2009
DIVIRTAM-SE! MAS, CUIDADO.
Dentre a lista do filmes mais locados nessa semana está “ANJOS E DEMÔNIOS”, baseado no livro de mesmo título do autor Dan Brown (aquele do “CÓDIGO DA VINCI”).
Acredito que muitos dos que leem esse texto, se não tiveram contato com o livro, tiveram com o filme.
Em relação ao filme, pelo ritmo e pela trama policial, prende-nos a atenção, por isso recomendo que o assistam ... mas, de um jeito diferente.
Deixo logo abaixo o link da primeira e a segunda partes de um documentário produzido por Simon Hartog para o canal 4 da BBC em 1993
com o nome de "BRASIL: BEYOND CITIZEN KANE" (MUITO ALÉM DO CIDADÃO KANE). Esse é um documentário sobre a política de telecomunicações no Brasil, com enfoque especial na história da formação da rede Globo e do poder do empresário Roberto Marinho.
Diferentemente do filme, esse documentário não tem um bom ritmo, mas revela a grande e verdadeira trama responsável por prender-nos a atenção e a capacidade crítica.
Para entender o que quero dizer assista ao documentário e perceba:
- quem financiou a rede Globo no início de suas operações?
- qual era a relação dessa emissora e de seu proprietário, Roberto Marinho, com os militares que comandaram o período de ditadura no Brasil, iniciado em 1964?
- como funciona o sistema de concessão de operação para emissoras de telecomunicação?
Antes ou após, assista “ANJOS E DEMÔNIOS” e se pergunte:
- sendo responsável por informações relevantes ou significativas para um grande número de pessoas, é possível manipular ou conduzir o modo como elas irão se comportar de maneira a se beneficiar disso? (pense no Camerlengo do filme e no Roberto Marinho na rede Globo.)
- como é possível fazer um discurso e ao mesmo tempo ter uma prática contrária? (recorde o discurso cristão, de fé e desapego do Vaticano, e o discurso democrático da rede Globo, comparados com as origens históricas e práticas reais dessas duas instituições.)
- quando são essas instituições, Vaticano e rede Globo, “ANJOS E DEMÔNIOS”?
Divirtam-se, mas não se deixem enganar.
http://www.youtube.com/watch?v=ZgAQWDyWVm8 PARTE 1
http://www.youtube.com/watch?v=T6AaQjCjCGM&feature=related PARTE 2
Rodrigo Mazzo Pelegrini
Acredito que muitos dos que leem esse texto, se não tiveram contato com o livro, tiveram com o filme.
Em relação ao filme, pelo ritmo e pela trama policial, prende-nos a atenção, por isso recomendo que o assistam ... mas, de um jeito diferente.
Deixo logo abaixo o link da primeira e a segunda partes de um documentário produzido por Simon Hartog para o canal 4 da BBC em 1993
com o nome de "BRASIL: BEYOND CITIZEN KANE" (MUITO ALÉM DO CIDADÃO KANE). Esse é um documentário sobre a política de telecomunicações no Brasil, com enfoque especial na história da formação da rede Globo e do poder do empresário Roberto Marinho.
Diferentemente do filme, esse documentário não tem um bom ritmo, mas revela a grande e verdadeira trama responsável por prender-nos a atenção e a capacidade crítica.
Para entender o que quero dizer assista ao documentário e perceba:
- quem financiou a rede Globo no início de suas operações?
- qual era a relação dessa emissora e de seu proprietário, Roberto Marinho, com os militares que comandaram o período de ditadura no Brasil, iniciado em 1964?
- como funciona o sistema de concessão de operação para emissoras de telecomunicação?
Antes ou após, assista “ANJOS E DEMÔNIOS” e se pergunte:
- sendo responsável por informações relevantes ou significativas para um grande número de pessoas, é possível manipular ou conduzir o modo como elas irão se comportar de maneira a se beneficiar disso? (pense no Camerlengo do filme e no Roberto Marinho na rede Globo.)
- como é possível fazer um discurso e ao mesmo tempo ter uma prática contrária? (recorde o discurso cristão, de fé e desapego do Vaticano, e o discurso democrático da rede Globo, comparados com as origens históricas e práticas reais dessas duas instituições.)
- quando são essas instituições, Vaticano e rede Globo, “ANJOS E DEMÔNIOS”?
Divirtam-se, mas não se deixem enganar.
http://www.youtube.com/watch?v=ZgAQWDyWVm8 PARTE 1
http://www.youtube.com/watch?v=T6AaQjCjCGM&feature=related PARTE 2
Rodrigo Mazzo Pelegrini
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